Educação

Pesquisa sugere que uso frequente de redes sociais altera desenvolvimento do cérebro de adolescentes 

A checagem habitual e constante das mídias sociais por adolescentes está alterando o desenvolvimento cerebral e a forma como o cérebro responde aos estímulos das redes, tornando-os mais sensíveis ao feedback social. A constatação é de uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, que acompanhou 169 adolescentes de uma escola pública durante três anos.

No início do estudo, os participantes relataram com que frequência checavam três das principais plataformas de redes sociais: Facebook, Instagram e Snapchat. As respostas variaram de menos de uma vez até mais de 20 vezes por dia. Eles foram submetidos a sessões anuais de análise das imagens cerebrais.

Os resultados foram publicados no Jama Pediatrics e, segundo os autores, o cérebro dos adolescentes que verificavam as redes mais de 15 vezes por dia se tornou mais sensível ao feedback social ao antecipar recompensas e punições sociais ao longo do tempo. Eles destacam que a maioria dos adolescentes começa a usar tecnologia e tem acesso a dispositivos móveis e mídias sociais em um dos períodos mais importantes para o desenvolvimento cerebral.

As plataformas de mídias sociais fornecem um fluxo contínuo e imprevisível em forma de posts, comentários, curtidas e notificações. E a interação com esse fluxo constante cria mecanismos de recompensa, fazendo com que o adolescente seja condicionado a voltar e verificar as mídias sociais repetidamente, num comportamento que pode se tornar ruim e evoluir para uma compulsão.

Alteração cerebral

Segundo a médica Polyana Piza, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein, essa exposição repetida aos estímulos das redes sociais pode alterar o desenvolvimento cerebral dos adolescentes na medida em que a exposição ao ambiente, às críticas, aos elogios, e à maneira como as pessoas o veem gera ações e reações que interferem no seu comportamento.

“Todo nosso comportamento é regido por uma parte neurológica chamada sistema límbico, que vai moldar nossa reação ao ambiente emocional. De que maneira eu consigo me organizar emocionalmente para reagir àquilo que estou recebendo? De que forma posso transformar esse feedback e melhorar? A questão que o estudo aponta é que isso é feito num volume cada vez maior e num tempo muito menor. E o cérebro do adolescente precisa se adaptar para transformar isso de forma positiva”, explicou.

Fonte: Agência Einstein

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