Economia

Trabalhadores por conta própria do Nordeste são os que mais desejam emprego formal

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) realizou o Lançamento da Sondagem do Mercado de Trabalho Brasileiro – Versão Regional | Nordeste nesta quarta-feira (15). Em formato online e presencial, no Ceará, o evento apresentou um recorte regional inédito, para aprofundar informações da PNADC do IBGE (3º trimestre de 2022) e divulgar dados com foco no Nordeste, no intuito de exibir diferentes dinâmicas e percepções do mercado de trabalho. Entre os temas abordados estiveram:: caracterização dos trabalhadores por conta própria; segurança com o trabalho e/ou renda principal. 

Segundo dados da Pesquisa, a população em idade ativa no Nordeste é a segunda maior no país, com 46,1 milhões, o que representa 26,6% no Brasil. No setor privado, o Nordeste está abaixo da média nacional no que se refere ao número de empregados. A região pontua 44,3%, enquanto o Brasil, 49,8%. No entanto, as posições se invertem com relação aos trabalhadores por conta própria, quando o Nordeste registra 28,7% dos trabalhadores nesta categoria, enquanto o Brasil tem 25,9%. Contudo, na região Nordeste se detectou o maior percentual de profissionais que gostariam de estar ligados a uma empresa: 76,7%. As principais motivações para esta preferência foram a vontade de ter rendimentos fixos (38,4%) e ter acesso ao conjunto de benefícios que uma empresa pode oferecer (36,5%). No Brasil, os trabalhadores dessa categoria que gostariam de mudar de ocupação para uma que fosse ligada a uma empresa pública ou privada representam 69,6%.

Quando analisada a origem desses trabalhadores, portanto, o que eles faziam antes de se tornarem “conta própria”, a principal ocupação anterior, em todas as regiões do país, é a do trabalhador empregado com carteira assinada, o que sugere que essas pessoas perderam seus empregos. No Nordeste, foi registrado o segundo maior percentual de trabalhadores que estavam desempregadas anteriormente (24,7%), atrás da região Norte (28,9%). Também no Nordeste, foi possível notar a segunda maior ocupação de origem com trabalhadores sem carteira assinada (28,9%), acima do dado nacional (16%). 

Ainda sobre os que trabalham por conta própria no Brasil, 32,1% afirmaram que a principal razão para ser um trabalhador dessa categoria foi estar desempregado e precisar de um rendimento. O Nordeste ocupa a segunda posição das regiões, acima de 25%. Entre os que responderam precisar de uma fonte de renda extra, o Brasil pontuou 12,3%, abaixo da média do Nordeste, que supera 15%. Por outro lado, o fator “Independência” também foi bastante mencionado na região, acima dos 30%, ultrapassando a média nacional (22,9%), o que mostra uma nova dinâmica do mercado de trabalho. 

Insegurança de renda

Dois quesitos foram aplicados neste sentido. Todas as pessoas ocupadas responderam, independente da ocupação. Sobre a chance de perder o principal emprego ou fonte de renda nos próximos 12 meses, 58,7% das pessoas no Brasil afirmaram ser improvável ou muito improvável isso acontecer, o que contraria a região Nordeste, onde mais da metade (50,2%) afirmou que é provável ou muito provável que isso aconteça nos próximos 12 meses, mostrando uma alta percepção de vulnerabilidade. Segundo Rodolpho Tobler – Economista do FGV IBRE, esse resultado pode ter ligação com dois fatores muito importantes: “É uma das regiões onde a renda média é mais baixa e onde se encontra um dos maiores percentuais de trabalhadores em atividades informais”. A taxa de informalidade no Nordeste chega a 52,2%. Também questionados por quanto tempo  acreditavam conseguir se sustentar se perdessem sua principal fonte de renda ou emprego, 73,4% dos entrevistados na região Nordeste só conseguiriam se manter até 3 meses, o que contribui para a alta percepção de insegurança. 

Fonte: Diário de Pernambuco

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