Saúde

Em 2024, número de mulheres médicas será maior que o de homens pela primeira vez no Brasil, diz pesquisa inédita

A sexta edição da Demografia Médica no Brasil 2023, pela primeira vez produzida em parceria entre a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Faculdade de Medicina da USP, mostra que o número de médicos especialistas no país cresceu cerca de 85% em uma década — em 2012 eram 68,2 mil registros médicos. Ao longo do ano passado, o número chegou a 495.716. O levantamento foi divulgado na manhã desta quarta-feira na sede da AMB, na capital paulista.

Em janeiro de 2023 o país contava com 562.229 médicos inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o que corresponde a uma taxa nacional de 2,6 médicos por 1.000 habitantes. No mesmo período, o total de registros médicos chegava a 618.593. Um mesmo médico pode ter título ou ter concluído Residência Médica em mais de uma especialidade e, por isso, o número de títulos em especialidades é maior que o número de indivíduos especialistas.

O documento afirma que até 2035, com a expansão da abertura de cursos e vagas de medicina, o Brasil terá mais de 1 milhão de médicos e que em apenas um ano, as mulheres já serão a maioria entre os médicos do país.

— É fundamental para o planejamento do sistema de saúde tomar conhecimento do número, do perfil e da distribuição dos médicos e médicas no Brasil, das mudanças na graduação de Medicina, na Residência Médica e na oferta de especialistas, assim como acompanhar as transformações no mercado de trabalho médico — afirma Eloisa Bonfá, diretora da Faculdade de Medicina da USP.

Dentre as 55 especialidades médicas reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades, composta por representantes da Comissão Nacional de Residência Médica, Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira, apenas oito representam mais da metade (55,6%) do total de registro de especialistas. São elas: Clínica Médica, com 56.979 médicos, Pediatria (48.654), Cirurgia Geral (41.547), Ginecologia e Obstetrícia (37.327), Anestesiologia (29.358), Ortopedia e Traumatologia (20.972), Medicina do Trabalho (20.804) e Cardiologia (20.324).

As mulheres predominam em 19 especialidades contra 36 dos homens. A dermatologia é a de longe com maior número — 8.236 médicas, o que representa 77,9% dos dermatologistas do país. Pediatria (75,6%), Alergia e Imunologia e Endocrinologia e Metabologia, ambas com 72,1%, completam o ranking.

Segundo a Demografia Médica, o fenômeno da “feminização” da profissão já vinha sendo observado desde 2009 entre os recém-graduados, mas ainda havia, no total da profissão, 59,5% de homens e 40,5% de mulheres. Em 2022 a proporção foi de 51,4% de médicos e 48,6% de médicas. Para 2024 a projeção é de que 50,2% do total de médicos no país sejam mulheres.

Entre 2010 e 2022 o número de mulheres médicas quase dobrou, passando de 133 mil para 260 mil, aumentando para 48,6% de médicas contra 51,4% de médicos. A projeção é que em 2024, ou seja, daqui um ano, as mulheres ultrapassem os homens e se tornem maioria na classe médica com 50,2% do total de profissionais no país, e em 2035 a expectativa é que a porcentagem aumente para 56%.

  • Apesar do crescimento em relação a quantidade, as mulheres ainda ganham menos em relação aos homens. De acordo com dados obtidos por meio de declarações junto à Receita Federal referente ao ano-base de 2020, as médicas brasileiras declaram rendimento médio anual 36,3% inferior que os profissionais do sexo masculino.

1 milhão de médicos

A expansão e abertura de cursos de medicina ainda levará o país ao patamar de 1 milhão de médicos até 2035, segundo estimativas do documento. Em 2022, por exemplo, o Brasil contava com 389 escolas médicas que, juntas, ofereciam 41.805 vagas de graduação — desse total, 23 mil novas vagas foram abertas de 2013 em diante.

Entre 2010 e 2020 o número de alunos cursando o primeiro ano de escolas médicas passou de 16.818 para 40.881, o que representa crescimento de 143% no período — a maior expansão do ensino médico da história do país.

Para realizar a projeção futura, os pesquisadores analisaram dois cenários distintos e possíveis. Em um deles de um eventual “congelamento” na abertura de cursos de graduação e vagas de medicina entre 2023 e 2029 e outro com a manutenção dos efeitos da legislação vigente cuja criação de vagas é regulada e não seria interrompida.

Nas duas analises, a conclusão é que em 2035 o número total de profissionais da medicina no Brasil ultrapasse um milhão. Segundo o estudo, além de mais numeroso, esse grupo será mais feminino e jovem, porém ainda haverá uma má distribuição entre as regiões e estados do país.

Fonte: Revista Época

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